Cerco de Prata

O projeto incluiu a realização de uma oficina e a criação de um conjunto de imagens produzidas pelos habitantes do bairro e pelo próprio proponente do projeto. Para fotografar o bairro foi reunido um grupo com cerca de 5 participantes moradores do bairro que participaram numa curta oficina de introdução à fotografia. Esse grupo recolheu algumas das imagens com câmaras fotográficas 35mm que foram disponibilizadas.

Tira de negativos 35mm de algumas das imagens fotografadas

Depois de fotografar e revelar, estas foram ampliadas para papel, entre essas foram escolhidas entre o grupo aquelas que iriam ser ampliadas posteriormente em emulsão líquida fotossensível. Devido a alguma instabilidade no bairro, e também pela ocorrência de obras de renovação em vários dos edifícios, optou-se por emulsionar pedaços de tecido de algodão de 120cm x 80cm, para que o trabalho fosse mais fácil.

Moldura de madeira com tecido de algodão prestes a ser emulsionado

Foram assim emulsionadas algumas dezenas de tecidos onde posteriormente se ampliaram e revelaram as imagens. A finalidade da oficina foi dar aos participantes ferramentas para poderem em seguida dar asas à sua criatividade. O objetivo principal foi a criação de um conjunto de imagens a serem depois expostas no espaço exterior do bairro. Em suma, embora a oficina fizesse parte do projeto não foi de todo o propósito central. Assim sendo, o projeto dividiu-se em três partes: A primeira contemplou a realização da oficina onde se forneceram as ferramentas para a aprendizagem da criação das imagens. A segunda focou-se sobre a criação das imagens, na sua revelação para negativo e na escolha das imagens que será posteriormente ampliadas nas peças de tecido. A terceira incidiu sobre escolha das imagens a serem posteriormente ampliadas nas peças de tecido. A última fase foi a mais complexa, uma vez que a aplicação da emulsão fotográfica líquida exige alguns cuidados. A emulsão fotográfica líquida, é composta por uma solução gelatinosa de nitrato de prata, e é sensível a luz, isso implica que a sua aplicação seja efetuada num espaço isolado de qualquer fonte de luz, a não ser lâmpadas de laboratório vermelhas de baixa intensidade. Para emulsionar as peças de tecido foram construídas molduras e estruturas montadas em “sanduíche” para permitir o emulsionamento das peças de tecido e permitir a sua secagem.

Montagem das molduras para montagem do tecido a ser emulsionado

Cada peça de tecido leva no mínimo 48 horas a estar completamente seca. O mínimo erro nesta fase leva à completa inutilização da peça de tecido e da emulsão. Uma vez seca, cada peça de tecido foi exposta a uma imagem negativa projetada com um projetor de slide adaptado para o efeito. Após a ampliação procedeu-se à revelação, fixagem e secagem das imagens.

Uma das imagens em tecido após revelação

Este processo repetiu-se até se obter 8 imagens de qualidade. A exposição das imagens no exterior do Bairro do Cerco juntou moradores e não moradores do bairro, procurando com isso abrir a porta do bairro aos habitantes da cidade. Com isto pretendeu-se também quebrar alguns estigmas associados a muitos dos bairros sociais da cidade, neste caso concreto, o Bairro do Cerco.

Algumas fotografias expostas no varal antes de serem coladas

Colagem de uma das fotografias

Crianças a ver a colagem de algumas das imagens na parede

Imagem em tecido colada numa das paredes do Bairro do Cerco

Notícia no Jornal O Público sobre a exposição:

https://www.publico.pt/2023/05/03/local/noticia/quebrar-muros-bairro-cerco-porto-galeria-ceu-aberto-

Este projecto contou com o apoio do programa GARANTIR CULTURA

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